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11 mar 2020

Como usar a criatividade na Segurança do Trabalho

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Muita gente pensa que criatividade é uma habilidade específica de profissionais que trabalham com criação (designers, publicitários, arquitetos, etc.). O prefixo “cria” gera muita expectativa em cima da palavra. O professor de criatividade e palestrante Murilo Gun, inclusive, utiliza outro termo: combinatividade.

A tese dele é simples. Criatividade nada mais é do que usarmos nosso conhecimento adquirido ao longo da nossa vida, fazendo combinações entre coisas que já vimos e usá-las na resolução de problemas. Partindo deste princípio, Murilo ressalta a importância de vivenciarmos coisas novas e diferentes, sempre.

Optar por caminhos diferentes ao sair de casa. Ir pelo mesmo caminho sempre não te deixa ver coisas diferentes, uma loja diferente, um outdoor diferente. Ir pelo mesmo caminho não traz vivência diferente e não haverá novidade de experiência para combinar com as que você já possui.

Ler algo que não seja tecnicamente tão interessante, para conhecer pontos de vistas sobre assuntos que não são do seu cotidiano, pode trazer inputs que em algum momento serão combinados com algo que já existe no seu repertório de ideias.

O que você pode estar se perguntando é: “Como usar a criatividade na Segurança do Trabalho?”

Na área de SST muitas vezes (quase sempre) precisamos resolver problemas com poucos (ou nenhum) recursos, então, a criatividade na Segurança do Trabalho pode fazer a diferença. Ah, só abrindo um parêntese rápido: um problema não necessariamente é algo ruim, beleza? Um problema é qualquer situação que necessite de uma solução.

Muitas vezes comprar um presente pra esposa pode ser um problema (aqui em casa preciso de uma consultoria da NASA pra isso. Não importa o que eu dê, ela sempre vai trocar). Planejar uma viagem pode ser um problema… Enfim, problema pode ser qualquer coisa que precisa ser resolvida.

Solução padrão X Solução criativa

Aí entra a importância da criatividade no ambiente de trabalho, no nosso caso, criatividade na Segurança do Trabalho: é melhor resolver um problema da forma padrão, fazendo igual a todo mundo e usando uma solução enlatada? Ou fazer algo diferenciado que possa trazer outras vantagens e mais visibilidade pra você e para a empresa?

Claro que não estamos falando em descobrir a pólvora novamente. Na área de SST, muitas soluções são aquelas que já foram testadas e validadas, até porque nos baseamos nas normas. Mas, tenho certeza que a criatividade em Segurança do Trabalho é fundamental quando somos exigidos a determinadas tarefas, certo?

Quantas vezes não temos que “dar um jeito” quando nos deparamos com situações de risco? Muitas empresas (a grande maioria) não enxergam a segurança do trabalhador como fator diretamente ligado à qualidade da produção (e consequentemente à qualidade do produto/serviço oferecido, consequentemente às vendas e ao lucro da empresa).

Então, precisamos resolver problemas com poucos recursos por meio da nossa “combinatividade” de experiências. Pegamos coisas que já vivenciamos e adequamos à realidade daquele momento, a fim de resolver aquela situação.

Mais inputs = Mais ideias = Mais criatividade

A diversidade dos chamados “inputs” (recebimento de informações de fontes externas) acontece quando nos deparamos com situações diferentes das que experimentamos no cotidiano. Quanto mais inputs, maiores as possibilidades de combinações na hora de pensarmos em uma solução para um problema.

Quer um exemplo? Se você só compra uma marca de chocolate para o seu filho, a referência de chocolate que ele vai ter é APENAS uma. Quando alguém perguntar se ele quer chocolate ele vai aceitar pensando no chocolate que você sempre dá, até que um dia ele conheça os outros (novas marcas = novos inputs). Faz sentido?

Uma vez durante uma palestra abordei este assunto e começamos a conversar sobre soluções diferentes e criativas dentro da área de SST.

Perguntei se alguém tinha uma experiência para compartilhar e um técnico em segurança que estava presente na plateia comentou que teve uma ideia para enclausuramento de um equipamento após ver um anúncio sobre casinhas de cachorro numa revista de pets.

Ele aplicou aquele novo input ao conhecimento que já tinha com a necessidade da empresa dele (combinou as informações). Levou a ideia ao engenheiro de produção e juntos levaram a ideia à diretoria da fábrica.

Resumindo, ele conseguiu resolver um problema por meio de uma ideia que veio de uma revista de animais que ele estava lendo. Só mais um detalhe: segundo ele, a solução acabou custando um quinto do valor orçado inicialmente pela empresa.

Será que esse camarada ficou com moral na empresa? Nem é preciso responder…

Finalizando…

Muitas vezes a gente acha que vai perder tempo lendo determinado conteúdo ou fazendo algo que não faz parte da nossa rotina, mas é justamente aí que está o pulo do gato.

A leitura técnica sobre Segurança do Trabalho é OBRIGAÇÃO nossa, o conhecimento técnico deve ser padrão, isso é ponto pacífico.

O que pode vir a criar um diferencial é justamente o conhecimento secundário, outras vivências, aprendizagens que não têm a ver diretamente com minha área de atuação, pois desta forma eu terei outros inputs para combinar com aquilo que é minha obrigação saber, como este exemplo que citei acima.

Quantos técnicos em Segurança do Trabalho costumam ler revistas de animais? Obviamente que não estou falando pra todo mundo passar a ler revistas de animais, mas especificamente para aquele TST isso criou um diferencial.

Portanto, ALÉM do estudo técnico, é importante buscarmos informações consideradas “irrelevantes”, pois tenha certeza que mais cedo ou mais tarde ela vai passar a ser relevante na hora de combinar as ideias e resolver um problema.

Isso é buscar criatividade na Segurança do Trabalho!

Agora preciso ligar pra NASA pois em breve será aniversário da minha esposa e eu tenho um problema aqui pra resolver.

Até o próximo artigo, um grande abraço!

Autor:

Léo Louza

Léo Louza

Técnico em Segurança do Trabalho, consultor e auditor interno de sistemas de gestão integrada

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