Matriz de Risco Ergonômico – O impasse

Caro leitor, a Ergonomia é diferente e requer uma abordagem peculiar. Enquanto avaliamos os impactos do desconforto no desempenho eficiente, as matrizes tradicionais focam em acidentes graves. Mas e se a matriz do PGR não atender nossas necessidades ergonômicas? Precisamos considerar as medidas de prevenção e “amenizadores” para uma análise adequada dos riscos ergonômicos. Por isso, acredito que a matriz FMEA seja a melhor opção. Confira, abaixo, mais informações sobre os impasses da matriz de risco ergonômico!

Podemos discordar se isso é ruim ou bom, mas temos que concordar que a Ergonomia é diferente. Suas análises e entendimentos requerem uma certa caracterização peculiar. Ao avaliarmos os quesitos da NR-17, buscamos compreender os impactos do desconforto no desempenho eficiente. Raramente estamos com um olhar em acidentes fatais, catastróficos, incapacitantes e/ou irreversíveis, como costuma ser a interpretação das matrizes de risco de segurança do trabalho.

Veja, se formos obrigados a usar a matriz do PGR, é bem possível que na maioria absoluta das vezes, do ponto de vista da severidade, marcaremos entre 1 ou 2 (reversível leve; reversível severa), dentre 5 possibilidades. Este fato, por si só, já demonstra o viés de interpretação que incorreremos ao utilizá-las.

Outro viés refere-se às medidas de prevenção que não são contempladas nas matrizes tradicionais. As medidas de prevenção, amplamente discutidas na nova NR-17, não podem ser deixadas de lado no dimensionamento de risco ergonômico.

Uma classificação adequada dos riscos ergonômicos deve levar em conta aquilo que poderíamos chamar de “amenizadores” (pausas, rodízios, cadência não imposta, alternância postural, facilitadores ergonômicos, etc.) das exigências ergonômicas quando estamos avaliando uma determinada atividade.

Portanto, é desejável que utilizemos uma matriz de risco que nos possibilite ponderar e/ou atenuar o risco, dependendo das medidas de controle que a empresa oferece. E essa matriz que melhor atende essa necessidade chama-se FMEA.

Resumindo, se para a avaliação da maioria dos riscos (físico, químico, biológico, etc.), uma matriz que classifica efeito (gravidade) x frequência (exposição) faz sentido, para a ergonomia não.

Para resolver o impasse do PGR, com uma padronização entre os riscos, sem que os Ergonomistas tenham que usar uma matriz de risco que não lhes atende, acredito que a solução passa por dois caminhos:

  1. Realizar uma AEP (avaliação ergonômica preliminar) à parte, como um documento independente, onde consta a metodologia adotada e seus porquês. E dentro do documento de PGR, quando mencionar os riscos ergonômicos, referenciar a AEP realizada.
  2. Equalizar os conceitos das duas matrizes, pois ambos classificam o risco em 5 categorias. Mencionar na metodologia do PGR a necessidade de utilizar de matriz de risco distintas (pelos motivos que citei acima) e alinhar os conceitos.
    A matriz de risco não é só um cruzar a probabilidade versus gravidade. Aquele número que sai dessa matriz, ela conta uma história. E na ergonomia, essa história tem que levar em consideração a verbalização do trabalhador e as medidas de prevenção. Simples quanto isso. Caso contrário, essa história não será bem contada ou por lógica, estará enviesada.

A matriz de risco conta uma história, considerando a verbalização do trabalhador e as medidas de prevenção. Vamos buscar uma abordagem justa e equilibrada para garantir a segurança e o bem-estar no ambiente de trabalho!

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