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17 out 2019

Radiação ionizante: veja o que você precisa saber

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Segundo definição do Conselho Nacional de Energia Nuclear (CNEN), radiação ionizante “são ondas eletromagnéticas ou partículas que se propagam com alta velocidade e portando energia. Eventualmente carga elétrica e magnética, e que, ao interagirem podem produzir variados efeitos sobre matéria”.

Obviamente que esta definição do CNEN não explica muita coisa (não pra mim que não manjo das químicas), mas vamos tentar simplificar as coisas ao longo do artigo.

A radiação ionizante tem a capacidade de afetar e danificar as células do corpo humano, causando doenças graves, inclusive fatais, como o câncer por exemplo, talvez a mais conhecida consequência da exposição à radiação ionizante.

Segundo a ICRP – International Comission on Radiological Protection (Comissão Internacional em Proteção Radiológica), qualquer dose de radiação pode ser prejudicial à saúde, ou seja, não existe exposição segura.

Segundo informações do 1º Simpósio sobre Exposição Ocupacional a Radiações Ionizantes no Brasil, 80% da exposição à radiação é proveniente de fontes naturais e os outros 20% de fontes artificiais, principalmente de aplicações de radiação na medicina.

O que diz a LINACH

A LINACH é a Lista Nacional de Agentes Cancerígenos para Humanos. É uma listagem com diversos agentes causadores, possivelmente causadores e provavelmente causadores de câncer em seres humanos.

A radiação ionizante encontra-se no grupo 1, que é o grupo de agentes confirmados como carcinogênicos para humanos.

Consequências na saúde

A aplicação de pequenas doses não oferece riscos à saúde, pois nosso corpo tem tempo suficiente para substituir as células alteradas ou destruídas. Inclusive, quando aplicada em pequenas doses, a radiação é eficaz no diagnóstico e tratamento de doenças.

Ela possui propriedade de alterar as cargas elétricas dos elementos celulares e suas consequências vão depender da dose, tempo de exposição e região do corpo atingida. Especialistas afirmam que os pulsos são locais mais resistentes à radiação, enquanto a medula óssea possui maior sensibilidade.

Além de ser reconhecidamente cancerígena, a radiação ionizante pode causar queimaduras na pele e dentro do corpo, dependendo da quantidade e intensidade da dose. Pode causar mutações genéticas em óvulos, espermatozóides, na gestação e nos sistemas reprodutores masculino e feminino, além de danos irreversíveis às células.

Para entender melhor os efeitos da exposição a altas doses de radiação, vale a pena assistir documentários sobre os acidentes de Chernobyl, na Ucrânia, e com o elemento Césio 137, em Goiânia.

Equipamentos de Proteção e medição da dose

Ao pensarmos em proteção contra radiação ionizante, devemos levar em consideração três fatores: tempo, distância e blindagem.

Com relação ao tempo, fica óbvio que existe uma proporcionalidade entre o tempo de exposição e os riscos. Mais tempo exposto consequentemente gera mais riscos. Inclusive este é um dos motivos pelos quais a jornada de trabalho de profissionais que atuam nesta área é reduzida, para controlar o período de exposição à fonte geradora e reduzir as possibilidades de riscos.

Com relação à distância, podemos comparar com o calor do fogo. Quanto mais perto das chamas, mais quente e maior a probabilidade de queimaduras. Assim funciona também com a radiação ionizante: quanto mais próximos à fonte geradora, maior a dose de radiação.

Falta então abordarmos a blindagem, na qual consiste a imensa maioria dos equipamentos de proteção radiológica. Aqui teremos desde Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs), como barreiras de chumbo, por exemplo, até os diversos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Relembre a diferença entre Equipamentos de Proteção Coletiva e Individual clicando aqui.

Apesar da contaminação por radiação ionizante em baixas doses ser relativamente demorada, os riscos existem e devem sempre ser evitados. Pensando nisso, atualmente existe uma série de EPIs voltados à radiologia. Falaremos de alguns:

  • Avental de chumbo: talvez o mais utilizado dos EPIs é uma manta de chumbo que cobre a região abdominal e torácica de pacientes e operadores durante a realização de exames radiológicos e reduzem bastante as doses de exposição à radiação.
  • Óculos plumbíferos: assim como os aventais, são equipamentos feitos de chumbo (misturado ao vidro) que protege os olhos e auxilia a visibilidade durante os exames.
  • Protetor de gônadas: como informamos anteriormente, a radiação pode prejudicar a fertilidade de homens e mulheres. Pensando nisso, os protetores de gônadas foram desenvolvidos para proteger os aparelhos reprodutores feminino e masculino.
  • Protetor de tireóide: para evitar o risco de exposição da tireóide à radiação (assim como os aparelhos reprodutores, a tireóide também pode ser muito afetada quando exposta à radiação) estes protetores também são muito utilizados.

Para detectar a quantidade de radiação presente em um determinado ambiente, utiliza-se um equipamento conhecido como “radiômetro”. O radiômetro serve para medir o fluxo de radiação ou força da radiação eletromagnética. É capaz de detectar radiações ionizantes, beta, gama e raio-x. Chamamos a medição pessoal de “dosimetria individual”.

Segundo a norma CNEN-NN-3.01, todos os trabalhadores que laboram em áreas controladas devem portar dosímetros individuais para que haja controle quantitativo da exposição daquele trabalhador à radiação. Por isso, é comum vermos em clínicas veterinárias, odontológicas e em hospitais, os profissionais que atuam expostos à radiação portando um pequeno medidor junto ao corpo.

Este medidor detecta e armazena informações referentes à quantidade de radiação presente nos ambientes de trabalho e são enviados para laboratórios de análise.

Insalubridade e periculosidade

Com relação à insalubridade, a NR-15 dá a seguinte redação: “Nas atividades ou operações onde trabalhadores possam ser expostos a radiações ionizantes, os limites de tolerância, os princípios, as obrigações e controles básicos para a proteção do homem e do seu meio ambiente contra possíveis efeitos indevidos causados pela radiação ionizante, são os constantes da Norma CNEN-NN-3.01: “Diretrizes Básicas de Proteção Radiológica”, de março de 2014, aprovada pela Resolução CNEN n.º 164/2014, ou daquela que venha a substituí-la.”

Logo, vamos à referida norma CNEN e encontramos os limites de dose anuais no seguinte quadro:

Para trabalhadores que atuam expostos à radiação, temos os limites de dose anual conforme quadro acima. A unidade de medida é o mSv (milisieverts). Apenas para efeito de comparação, uma tomografia computadorizada de tórax expõe o paciente a 5,8 mSv.

Portanto, após análise quantitativa para exposição à radiação ionizante, caso a medição encontre valores que ultrapassem os limites de dose anuais o trabalhador estará elegível ao recebimento do adicional de insalubridade.

Para o pagamento do adicional de periculosidade, as atividades relacionadas à radiação ionizante constam na NR-16, no anexo acrescentado pela portaria 3.393, de 17 de dezembro de 1987, além de constar também na portaria 518, de 04 de abril de 2003, listando as atividades e áreas de risco em atividades e operações perigosas com radiações ionizantes ou substâncias radioativas.

Aposentadoria especial

As radiações ionizantes estão no anexo IV do decreto 3.048/99. Lá constam as atividades que envolvem trabalhadores expostos a radiações ionizantes e ensejam aposentadoria especial ao trabalhador após 25 anos de contribuição.

Segundo o Manual da aposentadoria especial do INSS, a partir de 8 de outubro de 2014, serão enquadrados qualitativamente os períodos trabalhados com exposição a radiações ionizantes, reconhecidamente cancerígenas, listadas no Grupo 1 da LINACH, que possuem registro no CAS, e estão arroladas no anexo IV do Decreto n° 3.048, de 1999:

  1. I – Plutônio;
  2. II – Rádio-224 e seus produtos de decaimento;
  3. III – Rádio-226 e seus produtos de decaimento;
  4. IV – Rádio-228 e seus produtos de decaimento;
  5. V – Radônio-222 e seus produtos de decaimento; e
  6. VI – Tório-232 e seus produtos de decaimento.

Finalizando…

Como pudemos observar ao longo do artigo, o tema RADIAÇÃO IONIZANTE é longo, complexo e envolve diversas vertentes, não apenas a legislação trabalhista. Portanto, é de fundamental importância que nos mantenhamos atualizados, sempre de olho em qualquer movimento que possa desencadear mudanças e influenciar em nossa área de atuação.

Em caso de dúvida, manda um e-mail pra gente e vamos bater um papo sobre este tema agradavelmente complexo. Até a próxima!

Autor:

Léo Louza

Léo Louza

Técnico em Segurança do Trabalho, consultor e auditor interno de sistemas de gestão integrada

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