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11 dez 2018

Perigo ou risco? Entenda a diferença entre eles

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Perigo e risco são dois termos aparentemente semelhantes, mas que possuem significados diferentes. Para fazer uma boa Gestão de Saúde e Segurança do Trabalho, é importante identificar os “perigos” e avaliar os “riscos” aos quais o trabalhador está exposto.

Nem sempre perigo significará risco. Um perigo somente representará um risco quando houver exposição de alguém a uma fonte geradora de danos ou prejuízos. Neste artigo, elucidaremos as diferenças entre esses conceitos, que têm estreita relação com a área de SST.

Conceito de perigo

De forma geral, o perigo caracteriza-se por ser uma fonte causadora de lesões ou danos à saúde. Por toda parte há materiais, aspectos, condições ou situações potencialmente prejudiciais que conceituamos como perigos.

No mundo do trabalho, podemos identificá-los em:

  • produtos e substâncias;
  • máquinas, equipamentos e objetos;
  • ambientes de trabalho;
  • trabalhadores;
  • sistemas de trabalho.

Constituem um perigo, por exemplo, a substância química presente no ambiente de trabalho, a superfície quente de um forno, a máquina com suas partes móveis desprotegidas, o empregado sem a capacitação necessária, a sobrecarga de tarefas, o chão escorregadio, entre outros.

O perigo, por si só, não representa um risco. No entanto, se o trabalhador ficar exposto a uma fonte de lesões ou danos (perigo), podemos dizer que aí sim haverá risco.

Conceito de risco

A norma internacional ISO 45001 – Sistemas de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional conceitua risco como a:

“combinação da probabilidade de ocorrência de eventos ou exposições perigosas relacionadas aos trabalhos e da gravidade das lesões e problemas de saúde que podem ser causados pelo(s) evento(s) ou exposição(ões)”.

De outra forma, podemos dizer que risco é a chance de uma situação ou evento perigoso efetivamente provocar danos ou prejuízos.

O risco ocupacional é definido pela frequência com a qual uma pessoa pode sofrer danos causados por uma fonte de perigo. Quanto maior a frequência de exposição ao fator de risco, maior a probabilidade de haver consequências negativas.

Os riscos são avaliados em termos de consequências e de probabilidade dessas consequências ocorrerem. Trata-se de uma medida de incerteza. Eles podem ter efeitos positivos ou negativos. No entanto, a Gestão de SST se ocupa dos riscos potencialmente negativos à saúde do trabalhador e ao meio ambiente.

O grau de exposição aos riscos ocupacionais está vinculado a 3 variáveis:

  • tempo de exposição – período durante o qual o trabalhador fica exposto ao agente ou fator de risco;
  • intensidade ou concentração – nível acumulado do agente ou fator de risco no ambiente de trabalho;
  • natureza do agente ou fator de risco – grau de nocividade ou potencial agressivo à saúde do trabalhador.

Quanto maior o tempo de exposição, a intensidade/concentração e a nocividade do agente ou fator de risco, mais grave é o risco ao qual o trabalhador está exposto.

Tipos de riscos ocupacionais

Podemos dividir os riscos ocupacionais em 5 grandes grupos:

  • Riscos físicos
    Consideram-se agentes de risco físico as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, calor, frio, pressão, umidade, radiações ionizantes e não-ionizantes, vibração, etc.
  • Riscos químicos
    Consideram-se agentes de risco químico as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo do trabalhador pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos gases, neblinas, névoas ou vapores, ou que seja, pela natureza da atividade, de exposição, possam ter contato ou ser absorvido pelo organismo através da pele ou por ingestão.
  • Riscos biológicos
    Consideram-se como agentes de risco biológico as bactérias, vírus, fungos, parasitos, entre outros.
  • Riscos de acidentes/mecânicos
    Qualquer fator que coloque o trabalhador em situação vulnerável e possa afetar sua integridade, e seu bem estar físico e psíquico. São exemplos de risco de acidente: as máquinas e equipamentos sem proteção, probabilidade de incêndio e explosão, arranjo físico inadequado, armazenamento inadequado, etc.
  • Riscos ergonômicos
    Qualquer fator que possa interferir nas características psicofisiológicas do trabalhador, causando desconforto ou afetando sua saúde. São exemplos de risco ergonômico: o levantamento de peso, ritmo excessivo de trabalho, monotonia, repetitividade, postura inadequada de trabalho, etc.

Prevenção e controle dos riscos ocupacionais

Em se tratando de prevenção e controle de riscos ocupacionais, existem uma série de medidas e técnicas que visam eliminar ou reduzir a exposição do trabalhador ao risco; os princípios e hierarquia das medidas são os seguintes:

  1. evitar ou reduzir a utilização de materiais, processos ou equipamentos que possam oferecer riscos para a saúde;
  2. prevenir ou reduzir a formação ou ocorrência de agentes ou fatores de risco;
  3. evitar ou controlar a liberação de agentes de risco e sua disseminação ou propagação no ambiente de trabalho;
  4. evitar que os trabalhadores sejam atingidos ou afetados por agentes de risco, por exemplo, utilizando um equipamento de proteção individual (EPI)

Gerenciamento de risco

O gerenciamento de risco ocupacional envolve a aplicação de políticas administrativas, procedimentos e práticas que visam identificar, analisar, avaliar, tratar e monitorar o risco.

Um modelo de gerenciamento de riscos envolve, ao menos, as seguintes etapas:

  • Identificação dos perigos – esta etapa consiste em verificar as fontes capazes de causar danos à saúde das pessoas e meio ambiente.
  • Identificação dos riscos – nesta etapa devem ser identificada a probabilidade dos perigos virem a se concretizar, ou seja, se há trabalhadores expostos aos perigos.
  • Avaliação dos riscos – os riscos identificados devem ser avaliados qualitativa e quantitativamente, afim de estimar, classificar e dimensionar a exposição dos trabalhadores aos agentes e fatores ocupacionais de risco. É importante ressaltar que quando forem identificados riscos aparentemente graves na fase anterior, estes devem ser tratados antes de mesmo de serem avaliados.
  • Controle e Prevenção dos riscos – Após avaliados os riscos, devem ser aplicadas medidas de controle e prevenção aos riscos considerados inaceitáveis. Os riscos que estejam sob controle, devem ser monitorados frequentemente para garantir que os trabalhador não tenham sua saúde afetada.
  • Monitoramento, auditoria e reavaliação – todos as medidas de controle e prevenção aplicadas devem ser monitoradas, auditadas e avaliadas quanto à sua eficácia. Este é o processo cíclico que devem ser realizado periodicamente.

A higiene ocupacional é a ciência e a  arte dedicada ao estudo e também ao gerenciamento da exposição aos riscos ocupacionais.

Por isso, a qualificação em gestão na área de saúde e segurança do trabalho deve ser uma busca constante de todos os profissionais de SST.

Autor:

Eder Santos

Eder Santos

Professor e Consultor de SST
Fundador do www.sstonline.com.br

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