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6 dez 2020

Por dentro da pirâmide

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O título engana. Esta não é uma postagem sobre o Egito antigo, nem sobre a história dos faraós ou da Cleópatra. Vamos falar sobre um importante estudo relacionado à Segurança do Trabalho: PIRÂMIDE DE BIRD. Já conhece?

Na Segurança do Trabalho temos um estudo comparativo chamado “Pirâmide de Bird”, elaborado por Frank Bird Jr nos anos 60 (baseado na Lei de Heinrich, dos anos 30), onde ele relaciona episódios de quase acidentes, perda de bens materiais, incidentes e acidentes.

Para chegar aos resultados, Bird analisou mais de 3 bilhões de horas homem de exposição ao risco, mais de 1 milhão e meio de acidentes relatados por 297 empresas em mais de 21 tipos diferentes de indústrias, chegando à famosa relação 1-10-30-600. Vamos ver o que esta relação significa:

Em média, para cada 600 episódios de quase acidentes, acontecerão 30 incidentes causadores de perdas materiais; 10 acidentes com lesões leves e/ou afastamentos e 1 acidente grave ou fatal.

Simples de entender, né? Estatisticamente falando, quanto maior a quantidade de quase acidentes, maior a probabilidade de ocorrência dos eventos acima.

Agora vejamos que interessante.

A Dupont, empresa mundialmente conhecida pelo foco na prevenção de acidentes de trabalho, resolveu atualizar a pirâmide e trazer uma nova base à ela: desvios comportamentais. Vejamos como ficou a pirâmide da Dupont:

Apesar da alteração numérica, a relação é a mesma de Bird, porém, com o incremento de uma nova base.

Agora, temos os desvios comportamentais como base da pirâmide e para cada 30 mil deles (parece muito mas acredite: NÃO É), teremos 3 mil quase acidentes, 300 acidentes leves; 30 acidentes graves e 1 acidente fatal. É uma relação renovada, porém, continua mostrando causa e efeito. A Dupont trouxe doença e antídoto no mesmo estudo.

Sabemos que um acidente do trabalho não ocorre do nada. Normalmente existe uma causa raiz (ou algumas causas) e que normalmente, esta causa possui origem em alguma falha humana, algum desvio comportamental.

Nós estamos sempre querendo “cortar caminho”, fazer mais rápido, na base do jeitinho e da gambiarra. E foi aí que a Dupont identificou a base da pirâmide e tornou-a o item mais importante a ser observado: desvios comportamentais.

Na base desta pirâmide temos uma quantidade imensurável de desvios comportamentais, que nada mais são do que falhas no comportamento humano, causando desvios operacionais que poderiam (e deveriam) ser evitados por meio da educação e adequação comportamental.

Repare na relação trazida pelo estudo da Dupont e como houve uma boa mudança quando comparamos com os estudos de Frank Bird. O que é absolutamente normal, visto que a pirâmide de Bird foi baseada em estudos da década de 60.

Ou seja, a Dupont atualizou a pirâmide e trouxe uma relação mais próxima do que ocorre nos dias de hoje. Tornou-se mais atual e confiável até mesmo pelas métricas utilizadas e pela forma como foi estudada, afinal, seu estudo e análise são bem mais recentes quando comparados à análise de Frank Bird.

A principal leitura que a pirâmide nos traz é a importância desses desvios comportamentais.

A importância de termos atenção com o que não nos chama atenção. Muitas vezes um acidente QUASE acontece e nós não damos a devida importância, achamos que foi sorte ou que o ocorrido não foi nada demais, porém, não é bem assim que a banda toca. Este “quase” é fruto de comportamento inadequado que precisa ser adequado.

Estatisticamente, a sequência de “quases” vai acabar em acidentes cada vez mais graves, ou seja, quanto mais desvios se comete, maiores as chances de quase acidente, maiores as chances de perdas materiais, maiores as chances de lesões leves e maiores as chances de acidentes fatais.

Logo, melhor se atentar para a base da pirâmide e cortar o problema na raiz: adequar o comportamento dos trabalhadores. Apenas desta forma será possível reduzir a quantidade de “quases”.

A preocupação com os desvios comportamentais e seus impactos vêm sendo cada vez mais foco de estudos e análises de acidentes.

Muitas empresas já se deram conta de que cuidar do comportamento de seu colaborador é um investimento. Educar e/ou refazer os hábitos dos seus funcionários sai mais barato do que remediar as consequências de hábitos indevidos e comportamentos inadequados.

Portanto, nosso foco deve ser observar a relação de algo que quase aconteceu com uma morte ou acidente grave.

Não podemos deixar passar absolutamente NADA sem relatar, por menor que possa parecer. Aquele pequeno “quase” pode, um dia, se transformar numa grande e irreparável perda, e cada um de nós poderia ter feito um pouco para que ela não tivesse ocorrido. Afinal, a perda de amanhã pode ser até mesmo um de nós, aí meus amigos, será tarde demais…

Um grande abraço a todos e FA   LOU.

Autor:

Léo Louza

Léo Louza

Técnico em Segurança do Trabalho, consultor e auditor interno de sistemas de gestão integrada

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