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10 dez 2019

Acidentes de trabalho em silos: recorde de safra acende alerta

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Os números são animadores para a economia brasileira: a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que teremos recorde na safra de grãos 2019/2020.

Conforme dados divulgados pela empresa pública, na terça-feira, 10 de dezembro, a produção está estimada em 246,6 milhões de toneladas, um aumento de quase 2% se comparado à última safra. Um recorde!

Porém, com o aumento da colheita, outro número – este não tão animador – também tem crescido no país: a morte de trabalhadores em silos e armazéns de grãos.

O estado de Mato Grosso é, infelizmente, o que mais tem registrado morte de pessoas após acidentes de trabalho em silos que armazenam os grãos. As cidades de Sorriso, que é a maior produtora de grãos do Brasil, e Canarana lideram o ranking nacional.

Segundo informações da imprensa local, os dois últimos acidentes graves ocorreram em setembro de 2019. Um homem, de 30 anos, e um jovem, de apenas 19 anos, morreram em um intervalo de quatro dias.

O mais velho chegou a ser socorrido, mas não resistiu. O garoto, no entanto, morreu soterrado. O Corpo de Bombeiros precisou esvaziar todo o silo de milho para resgatar o corpo.

Mas por que isto acontece? Quais os cuidados que não temos tido nestes locais de trabalho tão importantes para o sustento e economia do país?

Locais perigosos e traiçoeiros

A primeira resposta para estas nossas dúvidas é simples. Se você não trabalha ou não conhece ninguém que trabalhe neste setor talvez nem imagine todos os processos necessários para que os alimentos em grãos cheguem até sua casa.

Conforme reportagem da Revista Proteção, depois da colheita, de forma resumida, os grãos passarão por diversas fases, começando pela pré-limpeza, retirada de impurezas existentes na massa; secagem, em que serão submetidos a correntes de ar aquecido por geradores de calor, e transporte e descarga, quando o produto será transferido para o interior dos silos ou armazéns graneleiros, por meio de correias transportadoras.

E são justamente os silos os “vilões” desta história. A dimensão e complexidade destas construções as tornam perigosas e traiçoeiras.

Por serem locais fechados, enclausurados, perigosos e traiçoeiros, são conhecidos como espaços confinados e são objeto da NR-33 – Espaços Confinados, da NBR 14.787 da ABNT e de alguns itens da NR-18 – Construção Civil do MTE.

Mas enganam-se aqueles que acreditam que o soterramento é o único problema que pode ocorrer nestes acidentes de trabalho em silos.

Os riscos de acidentes vão além:

  • Explosões;
  • Problemas ergonômicos;
  • Lesões do trato respiratório (poeiras) e do globo ocular;
  • Riscos físicos (ruído, umidade, vibrações, etc.)

Mas por que explosões?

Dentre estas outras possibilidades de acidentes de trabalho em silos ou armazéns, vamos dar ênfase às explosões porque é necessário entender o real motivo disto ocorrer.

Você já viu o descarregamento das sementes feitas pelos caminhões graneleiros? É possível notar a nuvem de poeira de longe. Esta nuvem é tão grande que pode causar uma explosão.

Isso acontece quando a superfície da poeira dos grãos é aquecida até chegar ao ponto de liberação dos gases de combustão que, ao entrarem em contato com uma fonte de energia (eletricidade estática), dão início ao incêndio.

Além disso, o processo de decomposição das sementes também pode originar gases altamente inflamáveis, como metanol, propanol e butanol, principalmente se a umidade dos grãos for superior a 20%.

Além dos perigos da própria explosão e dos incêndios, essa poeira agrícola pode provocar graves problemas respiratórios e oculares, que também listamos como acidentes em risco.

O que fazer diante destes riscos de acidentes de trabalho?

Algumas medidas podem ser tomadas para evitar uma tragédia. Para diminuir o risco de explosões, deve-se:

  • Limpeza frequente no local
  • Evitar fontes de ignição (solda, fumo, etc.)
  • Manutenção periódica em equipamentos
  • Nunca varrer o armazém; usar o aspirador de pó
  • Usar sistemas corta-fogo em dutos de transporte, e outros
  • Cuidados com ventiladores e peças girantes (faíscas)
  • Manter umidade do local => 50%, pois lembre-se: ambiente seco é ambiente explosivo

Onde entra SST nesta história?

Nós listamos as diversas causas de acidentes em silos que podem ser registradas. Mas é claro que todas elas podem ser evitadas.

Nós também mostramos acima formas de diminuir riscos de explosões, porém, cabe lembrar que há outras diversas formas em Saúde e Segurança do Trabalho (SST) de evitar acidentes com feridos e mortos.

Infelizmente, grande parte dos acidentes de trabalho em silos ocorre pelo comportamento inseguro por parte dos empregados.

O trabalhador sabe aquilo que deve fazer, tem conhecimento de SST, porém, se arrisca, seja por não utilizar um Equipamento de Proteção Individual (EPI) ou por acreditar que com ele nunca vai acontecer nada.

As empresas precisam se emprenhar para implantar a cultura de SST, que aponta os cuidados e treinamento em silos. Obviamente – e já falamos diversas vezes por aqui – as empresas precisam investir em SST.

Através de programas de segurança comportamental,  treinamentos e capacitação, e fiscalização para o cumprimento dos procedimentos de segurança,  as empresas do agronegócio podem conseguir evitar acidentes fatais.

Se você é responsável pela gestão de SST em uma empresa de agronegócio, insista em treinamentos, capacitação e conscientização para seus colaboradores. É necessário e urgente para que os números trágicos de acidentes de trabalho em silos e mortes diminuam.

Afinal, de nada adianta o Brasil crescer em economia com a safra recorde às custas de vidas preciosas e perdas em gastos previdenciários, como os registrados nos últimos anos.

Matheus Reis

Matheus Reis

Jornalista, especialista em Conteúdo e Jornalismo Digital.

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